Descrição
O desenvolvimento e a gestão da coleção
A coleção das bibliotecas do Agrupamento de Escolas Lima-de-Faria (AELdF), registada no Biblionet, é constituída por cerca de 16 650 registos ativos, apesar dos sucessivos desbastes que têm sido realizados nos últimos anos, em particular na sequência dos processos de requalificação ocorridos em 2020 e 2021, os quais retiraram das coleções cerca de 6000 documentos, sobretudo livros, desatualizados ou desadequados (mas, também CD-Room e cassetes VHS, cujo conteúdo foi migrado para DVD). Dos registos ativos, cerca de 3000 são de filmes, documentários e música.
Ambas as bibliotecas possuem também, na sequência da requalificação, uma zona de desbaste, na qual estão alojados repetições (múltiplos exemplares do mesmo título, necessários para a leitura em sala de aula; por exemplo, de “Os Maias” ou “A fada Oriana”) e livros não adequados ao currículo num determinado momento (por exemplo, dicionários de alemão, uma vez que esta língua não faz atualmente parte do currículo dos alunos). A criação das zonas de desbaste visou dar à coleção maior visibilidade, mas permitiu ainda, no caso da biblioteca da EB Carlos de Oliveira, evidenciar que a coleção era pobre no que respeita às necessidades dos alunos do 2.º ciclo, sobretudo no que respeitava à leitura lúdica.
Os processos descritos, assim como a aquisição de novos documentos, obedece à política de gestão da coleção, aprovada em Conselho Pedagógico, e disponível AQUI.
Para além de documentos adquiridos e os oferecidos, a coleção incorpora ainda registos videográficos e fotográficos, nos quais estão registadas as memórias do AELdF. Inicialmente, esse trabalho foi efetuado sobre a memória da Escola Secundária de Cantanhede (atualmente, ES Lima-de-Faria). Aquando da integração em agrupamento, o mesmo trabalho de preservação foi realizado para a memória da EB Carlos de Oliveira, com a digitalização, organização e catalogação do acervo fotográfico. Evidências do descrito podem ser observada AQUI e AQUI. Anualmente, é efetuada a seleção e preservação dos registos desse ano letivo (ver, AQUI).
Toda a coleção está integralmente descrita e referenciada no Biblionet, cuja utilização começou a ser realizada em 2019/2020. Aquando da integração das bibliotecas num único agrupamento, o tratamento documental passou a ser realizado apenas na Biblioteca Escolar Clara Póvoa, da Escola Secundária.
Para estabilizar os procedimentos e aumentar o controlo de qualidade do tratamento documental, agora integralmente realizado pelas senhoras assistentes operacionais em exercício de funções nesta biblioteca, elaborei um manual de procedimentos para cada uma das operações (catalogação, classificação, indexação, cotação, arrumação…), manual esse que tem sido revisto periodicamente. A última revisão ocorreu em 2021, depois de se estabilizar a migração para o Biblionet. Um exemplo de uma dessas fichas pode ser observado AQUI.
Neste momento, estamos a realizar, sempre que possível, um controlo de qualidade da informação registada nas cerca de 16 mil fichas catalográficas, tendo sido já analisadas cerca de 3 mil.
Renovação da coleção
O AELdF tem investido uma média anual de mil euros para a renovação do fundo documental. Atendendo às rápidas mudanças e a crescente digitalização dos consumos audiovisuais, o investimento tem sido alocado na aquisição de livros, predominantemente dirigidos ao apoio dos projetos de leitura e à leitura recreativa. No entanto, a verba disponibilizada pelo AELdF é muito insuficiente para se manter a coleção atualizada, especialmente porque as taxas de rotação do empréstimo nas minibibliotecas é muito elevada.
Por isso, tem-se procurado sistematicamente apoio financeiro através de candidaturas, como as do 10 minutos a ler, Clubes de Leitura, PNL Escolas a Ler 21-27, as candidaturas de requalificação, etc. No total, nos últimos oito anos letivos, ter-se-ão conseguido cerca de 20 mil euros para a aquisição de livros (mas, também, ainda que em menos quantidade de filmes em DVD e jogos de tabuleiro).
Biblioteca Digital
O novo desafio a que nos estamos a propor é o da constituição de uma biblioteca digital. Embora seja uma ambição com algum tempo, considerou-se necessário ter-se, primeiro, um sistema de gestão adequado e, segundo, haver linhas de atuação mais claras. Considerando-se que esta última condição ainda não está assegurada de um ponto de vista institucional, nomeadamente no que respeita ao justo equilíbrio entre os direitos de autor e o direito de propriedade pela aquisição, por exemplo, de um ebook, conclui-se que, pelo menos, a primeira condição já era possibilitada através do Biblionet.
Assim, em articulação com a empresa gestora deste serviço, foi criada uma base bibliográfica digital do AELdF e estamos em fase de testagem com vista à consolidação de uma política de seleção de documentos e à estabilização dos procedimentos a aplicar na catalogação, classificação e indexação. A definição e estabilização destes procedimentos, para além da revisão do Manual de Procedimentos, irá implicar, também, uma revisão da Política de Gestão Documental.
Por ora, estamos a testar duas linhas para a constituição da biblioteca digital. Uma consiste em catalogar recursos abertos, produzidos no AELdF ou em resultado de parcerias como a do Literacias na escola: formar os parceiros da biblioteca. AQUI pode observar-se um exemplo desta primeira linha de atuação.
A segunda linha de ação, consiste em recolher documentos disponíveis online, com licenças Creative Commons (ou equivalentes) que permitam a referenciação e disseminação dos documentos. Não sendo propriedade da biblioteca (não são identificados no OPAC como existências com número de registo e cota), são referenciados no programa de gestão da informação, com acesso imediato ao objeto digital.
A relevância desta segunda linha de atuação prende-se com a volatilidade da atualidade da informação e das necessidades em função do currículo. Com alguma frequência, os alunos dirigem-se à biblioteca, sobretudo no nível secundário de educação, para obter informação sobre um assunto contemporâneo (por exemplo, fenómenos migratórios e seu impacto na erradicação da pobreza), informação essa que está disponível em relatórios, como os da UNESCO, do Banco Mundial, etc. Ainda que, eventualmente, estas necessidades de informação possam vir a ser satisfeitas com os sistemas de inteligência artificial em desenvolvimento, considero que continua a ser relevante o acesso às fontes originais de informação, fontes essas ou que apenas existem em formato digital ou que não é relevante adquirir em suporte físico, dada a rapidez com que se desatualizam.
Curadoria e referenciação
Os Serviços da Biblioteca Escolar têm um longo historial de curadoria e referenciação da sua coleção, nomeadamente sob a forma de publicação de boletins bibliográficos, cuja memória foi preservada na secção Curadoria do Ler é um risco!
A secção Curadoria foi pensada de forma a abarcar as grandes áreas do currículo, sem estabelecer fronteiras rígidas entre as mesmas. Por isso, uma mesma agregação de recursos, pode aparecer no Imaginários e nas Humanidades. Ou, na Natureza e nas Humanidades. Tudo depende da tipologia de recursos selecionados para uma determinada agregação.
Esta secção foi também delineada tendo em consideração que, para além da divulgação dos recursos documentais das bibliotecas do AELdF, importava selecionar, agregar e divulgar recursos disponíveis em linha (o que já se vinha fazendo nos Boletins). Recursos que tanto são relevantes do ponto de vista do currículo, como da ocupação lúdica dos tempos livres e da formação integral e autónoma dos indivíduos.
Assim, em termos de gestão da informação, as principais diferenças da curadoria que se começou a efetuar a partir de 2020/2021, em relação à realizada anteriormente, são:
- a acessibilidade dos agregadores de informação na página Ler é um risco!
- a organização desses agregadores em categorias
- a possibilidade de continuar a alimentar cada agregador, ao cruzarem-se as potencialidades da página web com a de uma aplicação digital como o Wakelet
- a facilidade de navegação entre os agregadores e os recursos em linha que neles são referenciados.
Foram estabelecidos procedimentos de seleção, organização, referenciação através da aplicação de “tags” e definidas linhas temáticas para os agregadores, trabalho que ainda está em processo de exploração e de consolidação.
Do trabalho já realizado até ao momento, destaca-se:
- no Imaginários, a divulgação que está a ser efetuada da coleção de literatura das bibliotecas do AELdF
- no Imaginários, a coleção “Livros e leituras para os mais pequenos” que permitiu, desde o primeiro ano de confinamento na pandemia Covid-19, tornar o livro e a leitura acessíveis para crianças, alunos e famílias
- no Natureza, o Ciência para Ouvir, no qual encontramos um conjunto de canais de podcast sobre divulgação de ciência
- no Humanidades, a agregação de recursos, da coleção do AELdF e disponíveis em linha, a propósito dos 50 anos do 25 de abril de 74, organizados tematicamente.
A estes recursos sobre os 50 anos do 25 de abril, será associado um plano de atividades, dirigido a todos os departamentos, e, previsivelmente, a organizar conjuntamente pelo Serviço das Bibliotecas Escolares e o Departamento de Ciências Sociais e Humanas.
Um outro processo de curadoria, iniciado no âmbito da candidatura ao PNL Escolas a Ler+ 21-23 Ler é um risco!, é a "Periódica". Partindo dos elementos da Tabela Periódica, cada elemento começa por ser descrito do ponto de vista científico. Em seguida, são identificados usos comuns desse elemento e são agregados recursos nos domínios da expressão artística em geral (literatura, cinema, música, artes plásticas...) que, de alguma forma, estão associados a esse elemento. Trata-se de um trabalho ainda em desenvolvimento e que pode ser visto AQUI.
Conclui-se, referindo-se que cada uma destes agregadores (por exemplo, literaturas | islandesa) é divulgado à comunidade docente e discente, pelo circuito interno de comunicação por correio eletrónico, o que torna sistematicamente visível este trabalho do Serviço das Bibliotecas Escolares.