Descrição
A atuação do professor bibliotecário só alcança um impacto positivo se as dinâmicas de ensino e aprendizagem se alinharem com a missão das bibliotecas escolares. A promoção do livro e da leitura e das literacias da escrita, da informação, digital e mediática implica o desenvolvimento de competências transversais, as quais nem sempre fazem parte da formação inicial e contínua dos professores. Desta forma, considerou-se fundamental criar oportunidades de formação, cuja enunciação e fundamentação se apresentam abaixo.
Como poderemos observar, as oportunidades que foram surgindo, e as que se foram criando, permitiram às bibliotecas escolares do AELdF incorporar a evolução das políticas educativas, assim como o desenvolvimento digital da educação. Tal, facilitou, igualmente, a liderança do Serviços das Bibliotecas Escolares no apoio à mudança e no reforço das redes de cooperação e de colaboração.
O projeto Literacias na escola: formar os parceiros da biblioteca | Fase 1
A convicção, suportada pela leitura de referência, de que a melhor forma de desenvolver nos alunos competências em literacia da informação e digital seria a de as incorporar nas atividades de ensino e aprendizagem, esteve na origem do projeto Literacias na escola: formar os parceiros da biblioteca. Conforme se pode inferir pela análise da descrição do projeto e das atividades (AQUI e AQUI), os destinatários primários deste projeto foram os professores, tanto na formação organizada como nos recursos produzidos (guias e tutoriais). Pretendia-se que, ao formar os professores e lhes proporcionar recursos organizados por níveis e ciclos de ensino, os mesmos transportassem para as atividades de ensino e aprendizagem competências nas literacias referidas. Estes recursos foram inicialmente publicados num blogue e posteriormente migrados para o Aprendiz de Investigador, página desenvolvida com o apoio da Rede de Bibliotecas Escolares, no âmbito da atribuição do selo Ideias com Mérito.
O projeto começou a ser desenhado em 2012 com os professores bibliotecários do concelho, foi apresentado publicamente em 2013 com o apoio da Câmara Municipal de Cantanhede, e partiu de um diagnóstico de competências aplicado aos professores do ensino público de Cantanhede. De 2013 a 2017 foram desenvolvidos cursos de formação, em regime pro bono, ciclos de webinares, workshop e MOOC, estes já dirigidos aos alunos. Da literacia da informação, o projeto foi tendo uma ênfase cada vez maior em literacia digital, nomeadamente com a introdução de dispositivos móveis em sala de aula. Um relatório de resultados foi produzido em 2017.
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O projeto Literacias na escola: formar os parceiros da biblioteca | Fase 2
O trabalho desenvolvido de 2012 a 2017 esteve na origem, em 2018, do convite da Câmara Municipal de Cantanhede para que os professores bibliotecários fossem os responsáveis da implementação dos Ambientes Inovadores em Educação no concelho (CIM, Região Centro e Câmara Municipal de Cantanhede). O desenho da intervenção, que foi apresentado publicamente numa reunião aberta a todos os professores do concelho, e integrou as medidas educativas è época em início de implementação, tais como o processo de autonomia e flexibilidade curricular e o Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória.
O processo começou com uma análise de maturidade digital das organizações e de um diagnóstico de competências digitais dos professores e educadores (2019). Foi aplicado um questionário organizado em quatro núcleos: I - Pedagogia digital; II - Utilização e produção de conteúdos digitais; III - Comunicação e colaboração digitais; e IV - Cidadania Digital. A elaboração do questionário teve por base uma ferramenta criada pelo projeto europeu MENTEP - Mentoring Technology-Enhanced Pedagogy e o questionário DigCompEdu Check-In (ferramenta de autorreflexão desenvolvida pelo Joint Research Centre (JRC) da Comissão Europeia, em Sevilha, em colaboração com Margarida Lucas, do CIDTFF - Universidade de Aveiro, que é a coordenadora nacional das versões portuguesas). A análise dos dados foi agregada, mas, cada respondente teve acesso a uma pontuação que lhe permitiu efetuar uma autoavaliação das suas competências digitais, e a um conjunto de orientações para desenvolvimento profissional.
Estabeleceram-se como finalidades do projeto “Ambientes Inovadores em Educação” no concelho de Cantanhede: (1) promover a integração das TIC no processo de ensino e aprendizagem, enquanto instrumentos de trabalho úteis para desenvolver metodologias ativas, centradas no aluno como aprendente significativo, produtor e aplicador, individual e colaborativo, de conteúdos reveladores da aquisição de conhecimentos, capacidades, atitudes e valores, incluindo o aluno com medidas seletivas e adicionais; (2) facilitar a integração da avaliação formativa no ensino e aprendizagem, potenciando os seus efeitos na melhoria dos processos; (3) desenvolver competências digitais nos educadores e docentes, aliadas ao desenvolvimento profissional, com vista à implementação de metodologias ativas adequadas aos contextos didáticos das suas áreas de especialidade e às exigências de flexibilização e integração curricular.
Para além da organização de um ciclo de formações que se implementou ao longo do ano letivo, da implementação de duas salas para trabalho colaborativo, a concretização deste projeto deu origem ao I Encontro de Educação em Cantanhede: Construir caminhos. O relatório detalhado desta fase 2 pode ser lido AQUI.
Um dos produtos mais relevantes que perdurou desta fase do projeto Literacias na escola: formar os parceiros da biblioteca foi o da constituição de um banco de planificações de sequências de ensino e aprendizagem em integração curricular e que estão alojadas no Aprendiz de Investigador, secção Sala de Aula (referências mais detalhadas serão realizadas no item “Ação pedagógica). A secção tem sido alimentada todos os anos letivos e constitui um acervo que pode ser usado pelos professores como instrumentos de autoformação.
O projeto Literacias na escola: formar os parceiros da biblioteca | Fase 3
A integração / parceria com os PADDE - Planos de Ação para o Desenvolvimento Digital das Escolas, em particular no AELdF, pode ser entendida como a fase três do Literacias na escola: formar os parceiros da biblioteca. Do ponto de vista das oportunidades de formação, especificamente para docentes, destacam-se as atividades que se enunciam abaixo.
Encontros de Educação em Cantanhede
(2021-2022) II Encontro: construir caminhos no digital
Organizado em articulação com a Câmara Municipal de Cantanhede, decorreu de novembro de 2021 a julho de 2022, em formato híbrido e tinha por objetivo ser um complemento à capacitação digital docente, ao propor 18 sessões de curta duração, centradas nas didáticas específicas das disciplinas. A sessão final, presencial, decorreu com a presença de professores dos três agrupamentos de escolas do concelho. Um balanço provisório do II Encontro foi efetuado nessa sessão e pode ser encontrado AQUI, nos diapositivos 16 a 19.
(2023) III Encontro: leitura e escritas no digital
Organizado em articulação com a Câmara Municipal de Cantanhede e a Rede de Bibliotecas Escolares, teve início em janeiro de 2023 e terminará a 7 de julho de 2023, com uma sessão presencial que incluirá a partilha de práticas com a presença de alunos envolvidos nessas práticas. Acreditado como curso de formação para docentes, a proposta visou ir ao encontro da problemática sentida na sequência de estudos publicados pós-pandemia. Estes, nomeadamente do IAVE, mostram que a interrupção das atividades letivas e o ensino remoto de emergência tiveram um impacto negativo nas aprendizagens dos alunos, em todos os níveis de educação, em especial nas competências de leitura e de escrita. Paralelamente, estudos internacionais têm vindo a mostrar que os níveis de leitura parecem estar a decrescer, nomeadamente quando estes são aferidos pela leitura em suporte físico. Estes dados são considerados problemáticos, quer pela relação entre os níveis de leitura e a qualidade da escrita, quer pela importância transversal que a literacia da leitura e da escrita têm nas aprendizagens significativas de todas as áreas do saber. No entanto, investigações já com alguns anos mostram que os jovens não leem ou escrevem necessariamente menos, mas que o fazem de forma diferente. Daqui tem decorrido, segundo alguns especialistas, a necessidade de se mudar, ontológica e epistemicamente, os conceitos de leitura e de escrita para incluir a crescente digitalização da vida e das atividades dos jovens, e de as estratégias de ensino e aprendizagem maximizarem as potencialidades dessas atividades juvenis no mundo digital para que se possa estabelecer uma relação positiva entre o que queremos que os alunos aprendam e a sua motivação para aprender. Por fim, a investigação mostra-nos que a transferência de competências exige treino e que as competências estejam associadas aos domínios específicos do saber, o que justificou o formato das sessões: uma de carácter geral, de enquadramento, cinco centradas nas didáticas específicas (línguas, ciências…) e uma final de balanço e partilha de práticas.
Comunidade de partilha de práticas
Esta linha de ação foi desenvolvida apenas no AELdF, no âmbito do respetivo PADDE. Foi constituída por um conjunto de sessões, de periodicidade mais ou menos mensal no primeiro ano de implementação (21-22) e apenas uma sessão no segundo ano (22-23).
Organizadas pelos Serviços da Biblioteca Escolar em colaboração com a Direção, uma descrição e apreciação do trabalho realizado pode ser lida AQUI, no Blogue da Rede de Bibliotecas Escolares.
Maletas Pedagógicas
O desenvolvimento profissional docente ocorre também em processos de autoformação, nomeadamente através de recursos digitais abertos, cujo número, sobretudo sob a forma de webinares e outras comunicações por videoconferência, aumentou significativamente durante a pandemia, tornando-se difícil efetuar uma seleção.
Tendo em consideração o referido, assim como os estudos que mostram que o impacto positivo da utilização das tecnologias digitais na educação dependem das metodologias a partir das quais o professor orquestra o trabalho de aprendizagem, no âmbito do PADDE e em colaboração com o professor bibliotecário Rui Abreu do Agrupamento de Escolas Marquês de Marialva, foram elaboradas treze Maletas Pedagógicas (ver AQUI), publicadas no Aprendiz de Investigador, e agregadas e disseminadas também no Ler é um risco!
Nestas Maletas foi efetuada uma delimitação concetual e, a partir dela, a agregação de conteúdos digitais de acesso aberto que podem ser utilizadas pelos professores para ampliarem e aprofundarem o seus conhecimento pedagógico.
Outra formação
Como professora bibliotecária, como docente no AELdF e como formadora, tenho dinamizado outra formação creditada que, não sendo especificamente no âmbito das bibliotecas escolares, é fundamental para estabelecer ou consolidar redes de trabalho e incorporar naturalmente a missão das bibliotecas escolares no processo de ensino e aprendizagem. As duas primeiras formações, da lista abaixo, dirigiram-se a todos os professores do concelho de Cantanhede e a última apenas a docentes do AELdF.
(2018) Oficina, 50h, Autonomia e flexibilidade curricular
(2020) Curso, 25h, O currículo do ensino básico e secundário (flexibilidade e autonomia curricular), os ambientes educativos inovadores e uma escola inclusiva
(2023) Curso, 25h, Avaliar para aprender. Política de avaliação e de classificação do AELdF
Como professora bibliotecária, organizei ainda, no presente ano letivo, a formação não presencial em curta duração Desmaterialização da avaliação externa e o desenvolvimento do currículo, com Paula Simões e Rui Pires do IAVE. Esta formação, dirigida inicialmente aos professores do concelho de Cantanhede, foi aberta a todos os potenciais interessados, tendo estado presentes cerca de 500 formandos.
Outra intervenção formativa
Para além do descrito, como presidente da direção da Associação de Professores de Filosofia, coordeno o respetivo plano de formação. Este inclui formação de curta duração, associada aos múltiplos eventos organizados ao longo do ano, e um conjunto de cursos de formação, em áreas específicas da filosofia e em didática da filosofia, cujo historial se pode observar AQUI.